Curso Educação Patrimonial/Ambiental 2019
Curso para professores do ensino fundamental – 2019
Vamos falar de Educação Patrimonial/ Ambiental?
Diálogos e reflexões.
Apresentação:
Promoção: Officina de Estudos do Patrimônio Cultural/UENF e SMECE
Local: Casa de Cultura Villa Maria
Horário: 14h às 17h
Datas: 04 e 05 de junho
11 e 12 de junho
18 e 19 de junho
Vagas: 40 vagas
Carga horária: 30 horas (20 horas aulas e 10 horas práticas)
Público Alvo:
Professores da rede municipal do ensino fundamental 1 e 2, alunos de história, geografia, literatura, artes e ciências sociais do IFF, Uff e UENF, alunos do curso de formação de professores do ISEPAM e outros interessados.
Certificação:
PROEX / UENF
Resumo:
Entendemos que há necessidade de uma forte interação da Universidade com professores que atuam no sistema de ensino no município, no planejamento e desenvolvimento das ações de extensão, que valorizam as práticas culturais e a memória.
As atividades do Grupo de Pesquisa Officina de Estudos do Patrimônio Cultural (Officina)no campo da cultura, especialmente a Educação Patrimonial/EP, tem se desdobrado numa aproximação com a prática da Educação Ambiental/EA. Entendemos que a EP, assim como a EA, se configura como uma práxis educativa e social que permite elaborar ações pedagógicas privilegiando enfoques interdisciplinares. Os bens culturais e naturais permitem a integração de diferentes saberes que vão muito além do estudo do passado. Os temas abordados atravessam diversas disciplinas convergindo para a construção do conceito de cidadania.
Com a atual proposta do projeto pretendemos articular os conteúdos relacionados ao patrimônio cultural e ambiental através da arte e suas diferentes linguagens. Interessa-nos igualmente abordar questões relacionadas às políticas curriculares voltadas à educação patrimonial. Entendemos que essas políticas são ínfimas se comparadas a políticas de currículo direcionadas a educação regular, sobretudo de disciplinas historicamente consolidadas e estabilizadas.
Justificativa:
O termo Patrimônio Cultural procura dar conta de um amplo conjunto de bens de um povo ou nação, em seus aspectos tangíveis e intangíveis e também naturais. Apesar do termo patrimônio cultural pretender incorporar valores étnica e socialmente diversificados, as práticas patrimoniais estiveram marcadas por mais de 50 anos por um evidente elitismo e práticas excludentes. Em meados do século XX, o deslocamento do epicentro dos bens patrimoniais entendidos como históricos e artísticos, quase sempre representados pelas edificações do clero, do Estado e da elite, passa-se a incluir toda e qualquer manifestação como patrimônio cultural de um povo. Os primeiros anos do século XIX são marcados por uma grande reformulação no campo das políticas públicas de cultura, implementadas pelas esferas federais e estaduais, que estabelecem novas práticas na gestão pública, incorporando lógicas mais abrangentes, que buscam de um lado reforçar os valores regionais e locais, e por outro, ampliar a oferta de público e de apoio ao seu desenvolvimento. No âmbito das políticas ambientais, também se redefinem o papel da Educação Ambiental na gestão publica, com a confirmação da sua obrigatoriedade nos processos de licenciamento e uma visão mais crítica de seu conteúdo.
Os problemas pertinentes ao patrimônio cultural (entendido como política cultural)e ambiental requerem do conjunto da sociedade um conhecimento mínimo, uma vez que muitos elementos deste fazem parte do nosso cotidiano – como decisões sobre o uso de edifícios históricos, fortalecimento das manifestações da cultura popular, gestões urbanas que alteram o território, implantação de novas estruturas urbanas/industriais, entre outros – e exigem desta mais que opiniões técnicas. Tudo aquilo que envolve a culturae a natureza entendido como patrimônio de um grupo social, supõe um processo de decisão e seleção pautada em critérios éticos e políticos. Sem os conhecimentos dos instrumentos e dos espaços de participação, dificilmente a comunidade pode processar todas as informações necessárias para participar da tomada de decisões.
Neste sentido, levar os professores à reflexão sobre a complexidade das ameaças sobre o patrimônio cultural e natural, identificar os instrumentos e mecanismos no plano social que permitam sua atuação mais consciente, é o que nos faz apresentar esta proposta. Através de aulas expositivas, dialogadas e da proposta de oficinas que insiram o aspecto lúdico e a arte, pretendemos conduzir os professores participantes a um maior entendimento das questões de modo mais perspícuo. Entendemos que o conhecimento é uma construção, deste modo pretendemos junto aos professores, construir um conhecimento sólido sobre os temas propostos. Consideramos que este conhecimento permitirá ao professor contribuir para que seus alunos tenham uma maior clareza na leitura do mundo.
Objetivos:
1. Ampliar e fortalecer as ações de educação continuada na UENF, com foco na Educação Patrimonial e Ambiental, em parceria com a Secretaria Municipal de Educação, Cultura e Esporte e o Polo Arte na Escola;
2. Intensificar a contribuição para a melhoria do ensino na região, procurando através da formação prático-reflexiva de professores capacitá-los na orientação de ações educativas e interdisciplinares em sala de aula;
3. Estimular um número cada vez maior de professores a lançarem mão da metodologia daEducação Patrimonial, assim como dos equipamentos culturais da cidade, como instrumento para a leitura do mundo em que vivemos.
PROGRAMA:
1º Encontro 04/06/2019
Abertura: Atividade de acolhidaseguida de breve introdução dos objetivos e dinâmicas do minicurso; rodada de apresentações.
Aula: A noção de patrimônio cultural e sua consolidação na modernidade
Prof.ª Sylvia Paes.
Monitora: Cláudia
Ementa: O conjunto de bens deixados como legado constitui nosso patrimônio, este é formado por todas as manifestações e referenciais dos povos que constituem o povo brasileiro. Conhecê-lo e preservá-lo é primordial para a formação de uma identidade nacional e local. Vamos localizar temporal e mundialmente a preocupação com o Patrimônio. Onde e porque a ideia de educação patrimonial começou a ser elaborada. A construção das bases do IPHAN e como a Constituição de 1988 vê o nosso patrimônio material e imaterial. O tombamento como instrumento de preservação e a importância dos organismos INEPAC e COPPAM no reconhecimentodo nosso patrimônio estadual e local.
Dinâmica de abertura: O doce chuvisco – Distribuir com os presentes chuviscos em calda e cristalizados, e pedir que sintam a textura, o cheiro e o sabor para distinguir o material do imaterial. Ao mesmo tempo passar a receita desse doce atual e do século XIX.
Discussões Pertinentes: slides
Intervalo
Prática: Análise documental de uma das Cartas Patrimoniais.
Texto sugeridos:
GHOAY, Françoise. “A Revolução Francesa”. In: CHOAY, Françoise. A Alegoria do Patrimônio. São Paulo: UNESP, 2001. ISBN85-7448-030-4. [Disponível em: https://leaarqueologia.files.wordpress.com/2017/03/choay-franc3a7oise-a-revoluc3a7c3a3o-francesa-a-alegoria-do-patrimc3b4nio.pdf]
2º Encontro 05/06
Aula: Geografia do Norte Fluminense ontem e hoje.
Prof. Arthur Soffiati
Monitoria: Paola da Silva Tavares
Ementa: As duas geografias naturais, as transformações sociais sobre a segunda geografia: a atividade dos jesuítas, os canais de navegação, as ferrovias, a modernização da agroindústria, as comissões de drenagem, a exploração do petróleo, as comissões de bacias, a atividade portuária
Textos Sugeridos:
Texto base: Geografia do Norte Fluminense ontem e hoje (CLIQUE NO LINK PARA FAZER DOWNLOAD DO TEXTO)
LAMEGO, Alberto Ribeiro. O homem e o brejo. Rio de Janeiro: Conselho Nacional de Geografia, 1945.
MARTIN, Louis; SUGUIO, Kenitiro; DOMINGUEZ, José M. L.; e FLEXOR, Jean-Marie. Geologia do Quaternário costeiro do litoral norte do Rio de Janeiro e do Espírito Santo. Belo Horizonte: CPRM, 1997.
3º Encontro 11/06
Abertura: Apresentação de imagens (ontem e hoje)/Memória afetiva: só preserva quem ama
Palestra: Em busca do roteiro perfeito – Percurso comentado
Profa. Carmen Eugênia Sampaio
Monitora: Raíssa Moquiche da Costa
Ementa: Elaboração de roteiro de aula de campo e levantamentos dos pré-requisitos paraincrementar a demanda das comunidades escolares; Valorização das identidades e memórias dos grupos, a partir das atividades e produtos da educação formal e não formal, como por exemplo o “percurso comentado”. A partir de leitura sobre a temática que aborda a questão de metodologia de aprendizagem na educação, desenvolver planejamento e efetivar ações que darão subsídios aos professores da rede de ensino. Por seu lado, esses educadores serão multiplicadores de olhares diferenciados para o local, com destaque para os roteiros temáticos que enfatizem o patrimônio histórico, cultural e ambiental de nosso município. A proposta visa orientar e instrumentalizar os profissionais da educação a promoveram ações educativas e culturais para os estudantes não só referente à escola, como também ao que diz respeito à memória da localidade, da cidade.É dentro desse contexto, que se busca promover a Educação Patrimonial nas escolas, dando significado e refletindo naquilo que se conhece ou se percebe como patrimônio cultural. A memória preservada e compreendida pelos sujeitos sociais promove o reconhecimento da nossa identidade e a noção de pertencimento nos fazendo sentir parte de um grupo.
Intervalo
Prática: Debate sobre os textos sugeridos para leitura, orientação para a elaboração percurso comentado, incentivo para a descoberta do patrimônio imaterial e material da comunidade escolar e da nossa cidade.
Fechamento: Aula de campo no Quadrilátero do Liceu de Humanidades de Campos .
Textos sugerido:
Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Educação Patrimonial: Manual da aplicação: Programa Mais Educação. Brasília, DF : IPHAN/ DAF / Colgedip/ Ceduc, 2013.
IPH. Educação patrimonial: orientações ao professor. João Pessoa: Superintendência do IPH na Paraíba, 2011. 65 p. (Caderno temático; 1)
4º Encontro 12/06
Abertura: Atividade de acolhida
Aula: Educação é a base ou a base é a educação? E a Educação Patrimonial?
Prof. Wagner Torres
Monitora: Mariana Frech
Ementa: Neste encontro, pretendemos discutir a Base Nacional Comum Curricular (BNCC, 2018) para o Ensino Fundamental como inscrita num cenário de produção de políticas curriculares. Nesse sentido, tencionamos provocar indagações e reflexões acerca desse documento a partir de estudos do campo teórico do currículo na interface com a teoria do discurso. O discurso, nessa perspectiva, não se restringe a linguagem, mas é concebido como dimensão do social (LACLAU, 2005). Nesses termos, algo apenas faz sentido quando significado num determinado contexto, em determinadas articulações políticas provisórias e contingentes. Portanto, afastamo-nos de análises dicotômicas que significam as propostas curriculares como a totalidade das políticas, como também de interpretações que sugerem uma adesão ou um distanciamento pleno a esse documento normativo. Outra preocupação nossa é discutir a Educação Patrimonial a partir da análise da BNCC. Isso implica refletir acerca das possibilidades, defendidas no documento, pertinentes ao patrimônio cultural. Diante desse desafio, assumimos a tarefa de exercitarmos uma leitura crítica possível da BNCC, desinteressados em esgotar o processo analítico que essa proposta merece no conjunto das políticas curriculares.
Intervalo
Prática: em dupla, elaborar um plano de aula considerando como eixo a temática do patrimônio cultural local. O plano pode conter: Objetivo geral, Objetivos específicos, conteúdos, habilidades e competências, procedimentos e avaliações.
Fechamento: apresentação da atividade
Textos sugeridos:
LACLAU, Ernesto. La razón populista. Buenos Aires: FCE, 2005.
MACEDO, Elizabeth. Base Nacional Curricular Comum: novas formas de sociabilidade produzindo sentidos para educação. Revista e-curriculum, São Paulo, V. 12, n. 03, p. 1530 – 1555, out/dez. 2014. [Disponível em: http://revistas.pucsp.br/index.php/curriculum. Acesso: jan. 2019].
ZARBATO, Jaqueline Aparecida Martins. Ensino de História, Patrimônio cultura e currículo: reflexões sobre ações educativas em Educação Patrimonial. Revista Labirinto, Porto Velho – RO, Ano XV, Vol. 22, p. 77 – 90, 2015. [Disponível em: http://www.periodicos.unir.br/index.php/LABIRINTO/article/view/1391/1417. Acesso: fev. 2019].
5º Encontro 18/06
Abertura: Atividade de acolhida
Aula: Inventário Participativo – metodologia para o conhecimento do patrimônio cultural.
Profa. Simonne Teixeira
Monitoria: Ana Karolina Rangel e Jaqueline Oliveira da Silva.
Ementa: O Inventário participativo se constitui em uma ferramenta da Educação Patrimonial (EP) que busca o protagonismo da comunidade na seleção e identificação dos referenciais culturais que lhe dizem respeito. Por meio do inventário, é possível que grupos sociais (comunidades escolares, comunidades tradicionais, etc.) conhecer o território onde está, reconhecer os grupos que dele fazem parte e identificar os bens culturais que correspondem à memória e à identidade daquele grupo.
O trabalho para elaboração do Inventário implica na realização de uma pesquisa junto às pessoas do grupo ou comunidade (preferencialmente as mais idosas), na necessidade de pesquisar em bibliotecas e arquivos, quando existem; em livros e sites; em entrevistas a agentes culturais e outros. Este trabalho de pesquisa mobiliza o grupo e contribui para o fortalecimento dos laços afetivos e a afirmação do sentimento de pertencimento, contribuindo para a consolidação da cidadania.
A metodologia desenvolvida pelo IPHAN é o tema desta aula, em que serão trabalhados os conceitos e a estrutura do Inventário Participativo, seguido de exemplos práticos e atividades relacionadas.
Intervalo
Prática: Exame do conteúdo do Manual de Inventário Participativo e exercício coletivo para preenchimento de uma ficha de inventário.
Fechamento: Discussão sobre o processo de preenchimento do inventário.
Textos Sugeridos:
CARVALHO, Diana. Patrimônio Cultural – reflexão sobre o conceito, aspectos técnicos e teóricos. Revista Ideário Patrimonial, nº 6. Tomar: Instituto Politécnico de Tomar, julho, 2016, pp. 57-74 [Disponível: http://www.cta.ipt.pt/download/OIPDownload/n6_julho_2016/ideariopatrimonial_JUL_2016.pdf. Acesso em: 11 mai. 2019]
FLORÊNCIO, Sônia R. Rampim; BIONDO, Fernanda G. Inventários Participativos como instrumentos de Educação Patrimonial e Participação Social. Patrimônios Possíveis [recurso eletrônico]: arte, rede e narrativas da memória em contexto ibero-americano/Lilian Amaral, Cleomar Rocha (org.).Goiânia: Gráfica UFG, 2017. ISBN 978-85-495-0186-8 [Disponível em: https://patrimonios-possiveis.medialab.ufg.br/05_sonia_rampim.html. Acesso em: 17 dez. 2018].
IPHAN - Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Brasil). Educação Patrimonial: inventários participativos: Manual de aplicação. Sônia Regina Rampim Florêncio et al. Brasília, DF: IPHAN, 2016 [Disponível em: http://portal.iphan.gov.br/uploads/publicacao/inventariodopatrimonio_15x21web.pdf. Acesso em: 30 mar.2019]
6º Encontro 19/06
Abertura: Atividade de acolhida
Aula: A construção social da memória e as cartografias do afeto.
Profª Aline Portilho
Ementa:
Neste encontro, abordaremos a memória em três dimensões: como construção social, como elemento que liga indivíduos a comunidades e como fenômeno espacialmente localizável. Como construção social, importa destacar que a memória nem sempre é consensual, podendo estar envolvida em conflitos e revelar diferentes formas de compreender o mundo e os fatos cotidianos. Ao mesmo tempo, a memória se constrói numa profunda relação entre o que é relevante para o indivíduo e o que o restante da comunidade estabelece como memorável. Também serão debatidas as relações diretas entre a memória e o espaço, passando pelo tema dos “lugares de memória”, mas com o objetivo central de refletir sobre as memórias do espaço. São perguntas norteadoras desta discussão: Quais elementos da memória me ajudam a definir a comunidade em que me insiro? Em que espaços elas se manifestam? Como elas nos ajudam a relacionar com este mesmo espaço? Este debate tem como objetivo refletir sobre as relações entre memória e afeto, que são fundamentais para a compreensão do que são patrimônios culturais e qual a razão de preservá-los.
Intervalo
Atividade prática: Construção de um mapa afetivo de Campos dos Goytacazes.
Cada estudante deverá levar um elemento (fotografia, poema, imagem, desenho, pequenos objetos que possam ser pendurados em um mural) que represente uma memória do local que habita. Ao longo da atividade, os estudantes serão convidados a colar o elemento que levou no mapa/mural indicando a que localidade pertence, segundo seu ponto de vista. Deverá fazer uma breve apresentação, demonstrando os motivos que levarão a escolher este elemento como representativo. A turma será convidada a refletir sobre os elementos trazidos, apontando se o conhece e se concorda que é um elemento representativo daquele local. Ao final, deverá ser respondida a pergunta: “para você, este elemento é um patrimônio cultural?” O objetivo da atividade é refletir sobre o que compõe nossos patrimônios, quem os define e, especialmente, demonstrar como memória, espaço e afetos estão diretamente conectados.
Texto sugerido:
PORTILHO, Aline dos Santos. O Museu de Favela e a produção do espaço no Pavão-Pavãozinho e Cantagalo (Rio de Janeiro/RJ). Cadernos do CEOM, Chapecó (SC), v. 31, n. 49, p. 92-102 Dez/2018. Disponível em: https://bell.unochapeco.edu.br/revistas/index.php/rcc/issue/view/264/showToc. Acesso: mai. 2019.
